GIBIZADA
Dias atrás, Telio navega me entrevistou para seu Gibizada.
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Nem Hunter Thompson nem Joe Sacco. O jornalismo em quadrinhos do gaúcho Allan Sieber é diferente, não vai só na notícia, mas além, na ferida. Tão fundo que incomoda, de tão sarcástico, cruel e verdadeiro. Como na divertida cobertura que ele fez da Flip para a Playboy, sem perdoar escritores e, muito menos, fãs:
"Chamavam atenção grupos de peruas alisadas e esticadas que circulavam pela festa literária. Descobri que é uma facção de frequentadoras assíduas das Flips. Endinheiradas donas de casa que se inscrevem em cursos relâmpago de literatura ou filosofia e se acham verdadeiras intelectuais (com grana, no Rio é possível descolar um diploma de filosofia em seis meses ou uma submetralhadora Uzi, o que o freguês preferir" (vide desenho abaixo).
Foi assim nas páginas que ele produziu também para outras revistas, como Piauí, Trip, Sexy, Zé Pereira e F. Todo este material e mais algum outro, inédito (como o que abre este post), é reunido agora em "É tudo mais ou menos verdade - Jornalismo investigativo, tendencioso e ficcional de Allan Sieber" (Desiderata, cor, 128 pgs., R$ 49,90), cujo lançamento oficial acontece nesta quinta, no Rio de Janeiro, em evento ABERTO AO PÚBLICO. Veja o horário e o local em serviço no pé deste post. Por email, o autor conversou com o Gibizada a respeito de jornalismo e outras roubadas.
Quanto à verdade no livro: é mais para mais ou mais para menos?
ALLAN SIEBER: Mais para mais. Mas também tem muito exagero e delirio. Por outro lado, tem histórias tão horriveis que, nos quadrinhos, eu fui obrigado a dar uma amenizada.
Gostou de ser jornalista?
SIEBER: Adorei. É só me pagarem bem que eu topo qualquer coisa. O primeiro evento que eu cobri foi o Fashion Rio e eu nunca tinha visto um desfile na vida. Me deram uma credencial de fotógrafo da "Trip" e eu tinha acesso livre a todos os lugares. Bebia drinks enquanto via as modelos se trocando, esse tipo de coisa.
Trocaria a profissão de quadrinista pela de jornalista?
SIEBER: Não. Poucos ambientes de trabalho são mais deprimentes que uma redação. Como diria o mestre Xico Sá, "jornalismo embaranga".
Como surgiu a ideia de reunir sua produção de quadrinhos para revistas em livro?
SIEBER: Estava com esse projeto na cabeça desde o meio do ano passado. Queria juntar tudo que tinha alguma relação com a realidade, como as reportagens, as histórias autobiográficas e as colunas para a "Sexy" e a "Trip". O livro tem um norte bem claro: a realidade.
Fale-me um pouco sobre o material inédito do livro. Por que era inédito? Estava esperando publicação em livro mesmo?
SIEBER: Eu fiz para revistas que não publicaram o material. Não por censura, mas porque atrasaram ou faliram. Também tem coisas que só apareceram no meu blog. Eventualmente penso em coisas que só sairiam ali mesmo. Numa revista ou jornal de grande circulação não rolaria.
Como anda a adaptação para os quadrinhos dos textos de João do Rio? E o livro em parceria com seu pai?
SIEBER: Estou meio na marcha lenta por conta de um problema de saúde, mas devo acabar até o final do ano. O livro com meu pai já está bem adiantado, temos umas 50 páginas prontas.
Algum outro projeto em andamento?
SIEBER: Tenho vários projetos na fila esperando tempo para serem executados. Um álbum só sobre surfistas encrenca feito em parceria com meu amigo Julio Adler; a quadrinização de um livro inédito do mítico Cardoso (André Czarnobai, gaúcho de Porto Alegre, escritor. Da turma do Daniel Galera, Daniel Pellizzari e Marcelo Benvenutti. É músico e jornalista também); um livro infantil; uma série de serigrafias para uma exposição na loja do meu amiguinho Matias Maxx; um livro "split" (com duas capas, onde cada metade é uma coisa diferente) com histórias da série "Vida de Estagiário" e "The Mommy's Boys"; um álbum grande uma história só; outro livro só de cartuns... Enfim, estou sempre trabalhando.
Li em entrevistas que você não gosta de iPods, celulares, Twitter e outros trecos, apesar de manter um blog. Algum problema com tecnologia ou receio de se tornar dependente demais dela?
SIEBER: Eu acho tudo muito invasivo, as pessoas não sabem diferenciar o que é público do que é privado. Todo mundo quer ser seu biógrafo instantâneo e encher o saco dos outros com isso. Eu não tenho celular e evito ligar para os celulares das pessoas, só em caso de urgência. Para você ter uma idéia, nunca decorei o celular da minha própria mulher, tenho que ver na agenda. Se ela está em casa ou no trabalho, ligo para lá. Se ela estiver na rua, está na rua, não quero ficar pentelhando. As pessoas ficaram extremamentes dependentes do celular e mimadas com isso, todo mundo quer ser achado e achar os outros AGORA, não pode ser depois. Acho isso muito triste. Também tem a história que uma notícia da manhã já é "velha " pela tarde. Que gente é essa? Agora começaram a chegar os estudos mais sérios comprovando que o celular frita o cérebro mesmo. Desse mal eu não morro.
Allan Sieber
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14:31
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