KREUZBERG
Minha sócia no Império Tosco, Denise Garcia, encontra-se na Europa dando continuidade a alguns de seus projetos. Dias atrás ela me mandou esse interessante registro de uma passeata gigantesca em Berlin por ocasião do Dia do Trabalho .

Eis um trecho do e-mail que ela me mandou:
"Ontem foi o 1° de Maio famoso daqui com uma enorme passeata que andou por 2 horas por Kreuzberg, um bairro histórico aqui porque era um dos que faziam fronteira com o Muro e onde houve as primeiras e potentes invasões de casas, squats.
Este evento político é interessante. No passado, até uns três anos atrás, dava muita porrada. Agora não dá mais porque os manifestantes resolveram parar de destruir tudo o que viam pela frente, especialmente em Kreuzberg, onde tem uma grande comunidade turca que já sofre discriminação por si só e por isso não precisa todo o ano ter o seu bairro quebrado. Então agora antes e depois da passeata, que é o evento central, rola uma street party no bairro todo: vários palcos com todo o tipo de música e gente vendendo coisas nas ruas, como fazem no Rio no Carnaval, só que claro, a comparação termina aí...
Mesmo com esta consciência, a passeata é muito grande e bastante agressiva especialmente com relação à polícia. O contingente policial que cerca e acompanha a multidão é enorme e os uniformes são de choque! É incrível! Tem até um esquadrão que usa uns coletes escrito "anti-Konflit polizei". Eles, os manifestantes se organizam assim: na frente todos de preto tipo zapatista, carregando enormes faixas com frases contra o fascismo e, é claro e como sempre, contra o capitalismo. Atrás, bem atrás, num caminhão aberto como um palco ambulante, alguns líderes vão dando o discurso, dizem coisas como: nós não acreditamos em fronteiras, não acreditamos na polícia, somos a favor da solidariedade, somos solidários com os ilegais, com os estrangeiros, com os desempregados, e por aí vai. E então começam a falar mal do fascismo. Dão um número de telefone em caso de alguém ser preso, dizem para todos ficarem ligados se alguém for preso, para ligarem para este numero de telefone... O que eles provocam a polícia é inacreditável. Do inicio ao fim gritam: fuck the police! Porcos! Facistas! Imagina uma massa de pessoas, não tenho idéia de quantas, mas são muitas, muitas, dizendo horrores para a polícia e eles ali com cara de tacho. Não podem fazer nada pois daria uma merda que já deu no passado e só aumentaria a confusão pelo resto dos dias deles. Aí, lá pelas tantas a passeata passou por um Mcdonalds que tem na área, cercadíssimo de polícia. Aí eles soltaram uns sons de porco, de vaca, todo mundo vaiou a polícia e tocou garrafa neles. A polícia toda blindada. E os caras no microfone diziam: vocês não têm vergonha de proteger o capital, o Mcdonalds!! Engraçado, eu tive que rir disso tudo. Foi interessante ver como Berlin é uma cidade espontaneamente politizada, ver gente de todas as idades, muuuuuuitos punks, os que vivem na rua, todos lá, deputados, senhores, senhoras, tudo junto. Foi muito interessante. Eu fiquei pensando, e no Rio todos com a bunda enterrada na areia da praia como se as coisas no rio estivessem em melhor estado que em Berlin..."
Allan Sieber
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16:27
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