CONTINUAÇÃO
-Tus personajes son sumamente histéricos, ¿por qué?
- Eu sou bastante histérico, infelizmente. E isso se reflete nos meus personagens.
-Para un humorista gráfico, ¿es más tentadora una realidad vital y convulsa como la de Brasil, o es posible que un humorista finlandés sea tan ingenioso como tú?
- Viver num país caótico como o Brasil obriga um desenhista a ser mais versátil. Ele faz cartuns, ilustrações, cartuns políticos, quadrinhos, quase tudo ao mesmo tempo. Há poucos “especialistas”, desenhistas que só se detêm em um campo de trabalho . Não podemos nos dar a esse luxo.
-Tienes un pasado religioso...
- Sim, isso foi bastante traumatizante e me atormenta até hoje. Dos 8 aos 13 anos fui um fanático Adventista do 7º Dia. Isso fodeu completamente minha infância e pré-adolescência. Eu só pensava no juízo final, nas bestas do Apocalipse e todo esse tipo de folclore merda cristão. Era uma criança muito culpada.
-¿Cuál es tu infierno/ tu purgatorio/ y tu cielo particular en Río de Janeiro?
- Eu diria que o inferno é a miséria reinante e o abuso policial, uma das piores polícias do mundo, uma coisa horrorosa mesmo. Já o céu são as garotas saindo da praia e a permanente disposição do carioca em tomar um chopp a qualquer hora do dia.
-¿Qué es exactamente un gaúcho?
- O gaúcho dentro do Brasil é um povo a parte. São grossos e orgulhosos de sua terra natal, mas ao mesmo tempo são legitimamente engraçados. As pessoas mais malucas que eu conheço são do Sul. Lá também se bebe muito e as pessoas são mais selvagens do que no resto do país. Mas o lado ruim é que existe um certo movimento separatista muito idiota, gaúchos que acham que não fazem parte do Brasil, que se acham uma casta superior, esse tipo de idiotice.
-Detestas el carnaval y la navidad, ¿qué oportunidades tiene el mundo para celebrar contigo?
- Na verdade não gosto de festas impostas, como o Carnaval, o Natal e todo esse tipo de merda. Mas a qualquer hora qualquer um pode comprar uma boa carne para assarmos na brasa e umas cervejas. Isso é sempre uma celebração.
-Elogias la obra de los dibujantes brasileños Jaca, Fabio Zimbres, MZK... ¿Puedes alegar algo en su contra?
- Contra eles? Impossível. Esses caras são o que há de mais sofisticado no desenho brasileiro. Infelizmente o nosso mercado editorial é bem burro e eles não tem seus trabalhos publicados em grandes livros de luxo como Gary Baseman, Shag ou Tm Biskup, para citar alguns gringos.
-¿Qué proyectos de vanguardia (web, exposiciones, galerías, bares, tiendas) de dibujo/ilustración/comic/animación hay ahora mismo en Río de Janeiro?
- Digamos que atualmente no Rio o grande agitador cultural do Rio é o jovem Matias Maxx, que faz a revista Tarja Preta e tem a loja La Cucaracha, que promove lançamentos de quadrinhos e exposições. Tudo sempre com boa música e caipirinhas em profusão. Difícil alguém não se divertir em um evento na La Cucaracha.
-¿Cómo es la atmósfera de trabajo en TOSCO?
- A mais livre possível, sem horários e sem pessoas chatas por perto. Não trabalhamos com ninguém que não gostamos. No final do dia – e ás vezes no começo... – sempre compramos cervejas para todos. Também fazemos churrascos e somos levemente odiados por nossos vizinhos. Ah, e você pode fumar - o que quiser – em qualquer lugar da Tosco. Não fiquei rico, mas consegui junto com minha sócia Denise manter um espaço de trabalho que é quase um sonho em termos de liberdade e bom ambiente.
Allan Sieber
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13:21
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